“Você compra pela marca ou pelo que tem dentro? Até meu marido caiu nessa!”
Uma promoção, uma marca famosa e um rótulo esquecido: até meu marido também caiu nessa! Compartilho uma história real para refletirmos sobre o que levamos do supermercado para a mesa da nossa família.
Por Karla Crespo · 25 out 2026

Você também se sente enganada quando vai ao supermercado?
Gente, vocês já tiveram a sensação de estar sendo enganadas quando vão fazer as compras do mês?
Eu tenho sentido isso cada vez mais. E confesso que estou ficando indignada com a indústria alimentícia.
Às vezes, paro diante de uma prateleira e fico olhando a quantidade de produtos que existem hoje. Embalagens lindas, cheias de promessas, destacando um ingrediente que parece maravilhoso. Mas, quando viramos o pacote e lemos o que realmente tem ali dentro, a história muitas vezes é bem diferente.
E fico me perguntando: por que precisamos de tantos ingredientes, tantos aditivos, tantos produtos ultraprocessados para fazer parte de algo tão simples quanto a nossa alimentação?
O que mais me incomoda é perceber como tudo isso está ficando normal. Parece que estamos nos acostumando a encontrar cada vez mais embalagens e menos comida de verdade.
E vou contar uma coisa que aconteceu aqui em casa esta semana, para vocês verem como até quem já sabe da importância de ler os rótulos acaba caindo nessa.
Pedi ao meu marido para passar no supermercado e comprar manteiga e queijo. Coisa simples, né?
Pois bem, ele chegou em casa com uma sacola cheia de outras coisas e, todo satisfeito, me disse:
— Aproveitei que estava barato e trouxe mais algumas coisas!
Quando comecei a tirar as compras da sacola, encontrei um pacote de leite em pó Ninho.
Olhei para ele e perguntei:
— Amor, por que você trouxe isso?
E ele, com a maior naturalidade do mundo:
— Ué, porque é Ninho e estava barato!
Gente, nessa hora eu já sabia o que tinha acontecido! Kkkkk
Perguntei:
— Mas você leu o rótulo?
Ele fez aquela cara amarela e respondeu:
— Esqueci!
E olha que meu marido sabe ler rótulos! Aqui em casa já temos esse hábito há anos. Mas, naquele momento, ele simplesmente associou uma marca conhecida a um produto bom e ainda achou que estava fazendo um ótimo negócio porque o preço estava interessante.
Peguei a embalagem, entreguei para ele e falei:
— Então lê agora!
Ele começou a ler e fez aquela cara amarela de novo! Kkkkk
Eu só disse:
— Amanhã vou ter que voltar ao mercado para trocar!
Resultado: trabalho dobrado!
E sabem o que aconteceu ali? Meu marido, mesmo conhecendo a importância de observar os ingredientes, acabou sendo seduzido pelo marketing, pela confiança na marca e pelo preço.
E não é exatamente isso que acontece com tantas famílias todos os dias?
A gente vê uma marca que conhece desde criança, encontra uma promoção e acredita que está fazendo uma boa compra. Mas será que aquele produto é realmente aquilo que imaginamos?
A indústria sabe muito bem como nos conquistar. E, quando o assunto são as crianças, isso fica ainda mais evidente. Basta um filme fazer sucesso para seus personagens aparecerem estampados nos pacotes de biscoitos, macarrões instantâneos e tantos outros produtos.
A criança reconhece, se encanta e pede. E nós, mães, no meio da correria, muitas vezes acabamos comprando.
Mas será que paramos para pensar no quanto essas escolhas vão se repetindo dentro da nossa casa?
Não estou aqui para julgar ninguém. Sou mãe, conheço a rotina de uma família e sei como a praticidade pode fazer diferença. Mas não consigo achar normal que estejamos nos afastando tanto dos alimentos de verdade.
Outro dia fiquei pensando na época dos nossos avós. Eles comiam muito mais aquilo que vinha da roça, o que estava disponível na estação, o que era preparado em casa. Claro que nem tudo era perfeito, mas existia uma relação diferente com a comida.
Hoje queremos morango o ano inteiro, qualquer fruta em qualquer época, tudo pronto, tudo rápido, tudo disponível a qualquer momento.
E será que nós, como consumidores, também não temos uma parcela de responsabilidade nisso?
Porque a indústria produz para vender, mas somos nós que colocamos esses produtos dentro de casa.
E sabe o que mais me preocupa? É pensar nas crianças que estão crescendo sem conhecer muitos dos alimentos na sua forma natural, mas reconhecem de longe uma embalagem colorida no supermercado.
Não quero voltar ao passado, nem acho que precisamos abandonar toda a praticidade da vida moderna. Mas acredito que precisamos recuperar um pouco da consciência sobre aquilo que estamos comendo.
Não é sobre nunca mais comprar um biscoito ou deixar de aproveitar um lanche diferente com nossos filhos. É sobre perceber quando aquilo que deveria ser uma exceção passou a fazer parte de todos os dias.
Eu mesma precisei mudar muita coisa na minha maneira de pensar e de comprar. E continuo aprendendo. Aliás, pelo visto, aqui em casa todos continuamos! Até meu marido, que já conhece os rótulos, teve seu momento de cair na tentação da promoção! Rsrs.
Talvez a mudança comece quando deixamos de acreditar em tudo que está escrito na frente de uma embalagem e passamos a nos perguntar se aquele alimento realmente precisa fazer parte da nossa rotina.
Porque, no final das contas, não é apenas sobre o que estamos comprando hoje. É sobre os hábitos alimentares que estamos construindo para os próximos anos.
E eu fico pensando: será que estamos ensinando nossos filhos a reconhecer comida ou apenas a reconhecer marcas?
Quero muito saber o que vocês pensam sobre isso. Vocês também sentem que está cada vez mais difícil encontrar produtos com ingredientes simples no supermercado? Já compraram alguma coisa só porque estava em promoção ou porque confiavam na marca e depois se arrependeram?
Me contem, porque acho que precisamos conversar mais sobre esse assunto.
Um beijo,
Karla Crespo | Mães Sem Culpa
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